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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Artigo- A Faculdade de Direito da UFRGS e a pesquisa em Direito: passado, presente e futuro

Artigo da Diretora da Faculdade de Direito da UFRGS, 
professora Cláudia Lima Marques
Tema: A Faculdade de Direito da UFRGS e a pesquisa em Direito: 
passado, presente e futuro



Neste mês em se comemora a criação dos cursos jurídicos no Brasil, é uma honra relembrar o passado de nossa centenária Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e as lições que pode trazer para o futuro do ensino jurídico e pesquisa. Fundada em 1900, como ‘Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre’, mudou-se ,em 15 de junho de 1910, para o prédio atual -patrimônio histórico nacional[1] - construído pelos professores, com contribuição ativa da sociedade gaúcha, sob a liderança do Diretor Desembargador Manoel André da Rocha, por isso até hoje chamada de ‘casa de André da Rocha’.

O passado desta casa de altos estudos, com o esforço coletivo de professores, técnicos e alunos, acabou construindo um presente de excelência: a Faculdade de Direito da UFRGS é reconhecida como uma das 10 melhores Faculdade de Direito do país,[2] ranqueada entre as 301 a 340 melhores do mundo[3] e cuja pesquisa dos 39 grupos de pesquisa CNPq, reunindo docentes, discentes e Alumni, e no Programa de Pós-Graduação em Direito,[4] contribui ativamente para a evolução do Direito, das práticas do Estado Democrático de Direito e da Justiça no Brasil.

Duas lições parecem se destacar nestes 122 anos de nossa Faculdade de Direito da UFRGS. A primeira é o foco no ensino jurídico de qualidade para a formação sólida de juristas capacitados para todas as carreiras jurídicas, mas que também são cidadãos ativos, na sociedade gaúcha e do país (três Presidentes do Brasil e seis governadores do Estado estudaram em nossa casa),[5] a qual denominarei aqui de ‘vocação universalista’ da Faculdade de Direito da UFRGS. Hoje quando se defende a hiperespecialização, o ensino remoto e a diminuição drástica do tempo de formação, as realizações de nossa Faculdade (e os reiterados Selos do OAB-Recomenda) indicam que é preciso descobrir talentos e tendências individuais, mas assegurar uma formação geral de qualidade, que permita a todos os alunos e alunas exercerem no futuro todas as carreiras jurídicas; mesmo que, desde os primeiros semestres, possam descobrir temas de maior interesse e especializações com atividades nos vários grupos de pesquisa, de estudos, nas simulações e nas atividades de extensão.

A palheta de disciplinas do Direito é muito ampla e em constante transformação, assim é preciso formar uma boa base, inclusive filosófica e hermenêutica, para assegurar solidez na formação jurídica. Porém, a formação hoje necessita de atividades complementares, para o desenvolvimento de competências e capacidade de pensamento crítico-jurídico. Cada Faculdade de Direito tem a sua vocação, sua forma de organizar as atividades didático-formativas, a curricularização da extensão, de realizar a interdisciplinaridade. Esta ‘vocação universal’ e, desde 1985, a integração entre a graduação e a pós-graduação, bem como o incentivo à mobilidade, a participação nos grupos de pesquisa e em redes e estratégias de internacionalização, foi o caminho de nossa Faculdade de Direito da UFRGS.

Esta visão ampla do Direito e a preocupação com o evoluir da sociedade e da ciência, sempre foi tradição em nossa casa. Em 1909, a Faculdade de Direito criou a Escola de Comércio, origem das atuais Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS e seu curso de Relações Internacionais, mas também da Escola Técnica de Comércio. Já em 1917, foi criado o Centro Acadêmico, que leva o nome do fundador (Centro Acadêmico André da Rocha-CAAR), pioneiro na implantação do Serviço de Assistência Judiciária Gratuita no Brasil, destacando-se até hoje, CAAR e SAJU, com decisivas ações de política estudantil e de apoio legal à comunidade. No imponente prédio na Avenida João Pessoa não só funcionou a Reitoria da Universidade (1936 a 1954), mas nas dependências de nossa Faculdade de Direito, em 1942, foram criados os cursos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, disciplinas que hoje se encontram novamente em nosso Centro de Estudos Europeus e Alemães-CDEA, financiado pelo DAAD.

Assim, a segunda lição é o foco na pesquisa em campos específicos da ciência jurídica e em temas de ponta importantes para a sociedade brasileira, inovação e desenvolvimento do Brasil. Isso aprofundou-se nos anos 50 do século passado, com a criação em 1951 do CNPq[6] e da CAPES,[7] com o aumento da cooperação regional, com a FAPERGS[8] criada em 1965 e da cooperação internacional, em especial desde a fundação em 1972 do escritório regional do DAAD,[9] até chegar à Constituição Federal de 1988 e ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-PIBIC-CNPq.[10] Esta vocação para a pesquisa, extensão e abertura para a sociedade denominarei aqui de ‘vocação propositiva’ de nossa Faculdade de Direito da UFRGS.

A pesquisa é sempre imersão na realidade e acompanhada do necessário diálogo com outros centros nacionais e internacionais de ensino e pesquisa. Assim, desde metade do século XX, a Faculdade de Direito da UFRGS abriu-se para a sociedade, para a cooperação nacional e internacional e para as outras ciências, justamente através da pesquisa e publicações de vanguarda. Formadora de gerações de grandes doutrinadores e operadores do Direito, a nossa centenária instituição continua sendo vanguarda do pensamento jurídico nacional, seja em Direito Privado, Processo Civil, Direito Comparado, Direito Administrativo, Direito Internacional e da Integração, reconhecida nacional e internacionalmente em Direito do Consumidor, Migrações, Direito das Crianças e Adolescentes e Direito Digital.

Sem dúvida, as aqui destacadas lições do passado, no ensino e na pesquisa do Direito, asseguram futuro a nossa casa, mas também podemos ver – e aqui homenageio todos os anteriores Diretores e docentes- como frutos das sementes plantadas pelas gerações anteriores. É papel da geração atual, assegurar a continuidade desta evolução para beneficiar as gerações futuras. Assim, a Faculdade de Direito aposta em salas digitais e renovação do prédio histórico, para uma graduação cada vez mais internacionalizada, plena e com positiva utilização da tecnologia; acompanhada da revitalização das Bibliotecas e dos bancos de dados digitais, nacionais e internacionais, assim como da valorização dos Núcleos e Grupos institucionalizados, a destacar o ‘Núcleo de Pesquisas Antiracismo’. Acreditamos na integração de nossa comunidade: graduação, pós-graduação, docentes, técnicos e Alumni. Acreditamos no protagonismo de nossos alunos, pesquisadores e projetos de extensão para colaborarem na formação geral dos graduandos, com os Projetos interdisciplinares e complementares, como a série de palestras Studium Generale, com o CDEA, como no ‘Projeto Voluntários’, no Balcão do Consumidor-UFRGS, no Escritório Júnior, no NEDEP, no SAJU e em todas as demais iniciativas de nossa Faculdade de Direito da UFRGS, que unem docentes e discentes, incentivando e despertando talentos.

Quando o IARGS comemora a criação dos cursos jurídicos no Brasil, permitam-me homenagear a primeira professora mulher concursada de nossa Faculdade de Direito da UFRGS, Profa. Sulamita Santos Cabral, douta Presidente do IARGS e na sua pessoa todos os docentes, alumni e a comunidade jurídica do nosso Estado. Depois de 122 anos, a missão de assegurar uma formação jurídica de excelência e sempre atualizada, renova-se para a Faculdade de Direito da UFRGS. O Brasil precisa de juristas competentes e atentos para enfrentar os novos desafios e para manter o respeito aos direitos humanos e honrar o Direito e a Justiça. Que as lições aprendidas possam assegurar um longo futuro às bravas Faculdade de Direito de nosso Estado e à ‘casa de André da Rocha’!



Profa. Dra. Dr. h. c. Claudia Lima Marques, Diretora da Faculdade de Direito da UFRGS (2020-2024), Conselheira Estadual da OABRS e membro do IARGS

Doutora em Direito (Universidade de Heidelberg), LL.M (Universidade de Tübingen). Especialista em Integração Europeia (Universidade de Saarlandes). Professora Titular e Diretora da Faculdade de Direito (UFRGS). Professora Permanente do PPGD (UFRGS). Diretora do Centro de Estudos Europeus e Alemães (UFRGS/PUCRS/DAAD). Lider do grupo de pesquisa CNPq ‘Mercosul, Direito do Consumidor e Globalização’. Pesquisadora 1 A do CNPq. Advogada e parecerista. Email: dirinter@ufrgs.br




[1] Veja sobre o prédio histórico, https://www.ufrgs.br/patrimoniohistorico/faculdade-de-direito/ (28.08.2022).


[2] Segundo o Ranking Universitário Folha, seria a oitava melhor no Brasil, veja https://www.educamaisbrasil.com.br/cursos-e-faculdades/direito/noticias/as-melhores-faculdades-de-direito-segundo-o-ruf (28.08.2022).




[4] Sobre o Programa de Pós-Graduação em Direito da UFRGS, criado em 1985 e reconhecido em 1990 (Mestrado) e doutorado (1994), veja https://www.ufrgs.br/ppgd/ (28.08.2022).


[5] A saber: Getúlio Vargas (ex-presidente da República e ex-governador do RS), João Goulart (ex-presidente da República), Francisco de Paula Brochado da Rocha (Primeiro-Ministro do Brasil) e 6 governadores do Rio Grande do Sul, além de Getúlio Vargas, são: Walter Só Jobim; Pompilio Cylon da Rocha; José Amaral de Souza; Alceu Colares e Germano Rigotto.


[6]Veja sobre o CNPq-Conselho Nacional de Pesquisa, agência hoje no Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, CNPq: 50 anos de ciência, in https://revistapesquisa.fapesp.br/cnpq-50-anos-de-ciencia/ . (28.08.2022).


[7] Veja sobre a CAPES- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Fundação do MEC, e expansão dos cursos de mestrado e doutorado, https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/historia-e-missao (28.08.2022).


[8] Veja sobre a criação da Fundação de Apoio à Pesquisa no Rio Grande do Sul-FAPERGS, em 1965, https://fapergs.rs.gov.br/historico (28.08.2022).


[9] Veja a ligação entre a Faculdade de Direito e o DAAD nestes 50 anos, até a criação do Centro de Estudos Europeus e Alemães-CDEA, na UFRGS e PUCRS, que tem sede na sala 14 da Faculdade de Direito da UFRGS, in: https://www.daad.org.br/pt/quem-somos/50-anos/ e https://cdea.tche.br/site/ (28.08.2022).


terça-feira, 23 de agosto de 2022

Artigo- Sua Excelência, o Advogado!

 

Artigo do Diretor do Departamento de Previdência Privada e Coordenador do Núcleo de Debates entre Direito e Literatura do IARGS, Dr César Vergara de Almeida Martins Costa

Tema: Sua Excelência, o Advogado!


Trinta anos de advocacia conduzem-me a um percurso rememorante: inevitável topar com o sabor das “madeleines” e com o amargor das quedas, num sonho proustiano.

O advogado tem a missão de portar a palavra de outrem, fazer ouvir o clamor do cidadão pela Justiça. É um “procurador” de soluções. No devir processual carrega a chama âmbar e tênue da Constituição pelos corredores sombrios da Justiça.

No Brasil, o advogado é um “Siegfried” que luta contra uma floresta de fogo, batalha para superar espinhos e ervas daninhas que pululam da burocracia e do arbítrio: portarias, instruções normativas, regulamentos, medidas provisórias, suspensões arbitrárias de liminares. Elas dificultam o acesso à torre das garantias constitucionais.

Por vezes, depois de árdua luta, atravessa a floreta funesta e bate à porta da casa constitucional. Surpreendentemente, recebe um comando de retorno vão, sob o argumento de que a Constituição, se violada, o foi de forma reflexa, espelhada como narciso.

Não raro percorre o labirinto da Justiça e, ao final, depara-se com uma “Jurisprudência Minoutauro” que devora tudo aquilo que não é igual a ela, não admite revisões nem compreensão mais holística: viciada no engessamento, não sabe e não consegue fazer o “overrruling”, a superação dos precedentes à moda inglesa.

Exaurido, retorna ao torreão anterior, onde, frequentemente, as vespas sobrevoam o poder.

Em outras ocasiões depara-se com julgadores sensíveis, esclarecidos e abnegados e consegue, então, fazer brilhar a chama no templo sagrado. Obtém, assim, um verdadeiro provimento jurisdicional.

Retorna, claudicando entre vitórias e derrotas, mas segue adiante, incansável, com a espada em punho.

Passadas décadas de atuação, percebe que o que vale é o caminho, o carregar da chama com a cabeça erguida e a coluna ereta. Compreende, então, que a advocacia é uma peregrinação “além mérito” e, portanto, um sacerdócio. Meu profundo respeito, pois, à Excelência dos advogados!

terça-feira, 16 de agosto de 2022

IARGS, em parceria com a OAB/RS e o Lions Club, lança dois livros do Decano

O Instituto dos Advogados do RS promoveu, com o apoio da OAB/RS e do Lions Club, o lançamento de dois livros do sócio Decano Hélio Faraco de Azevedo, no dia 15 de agosto, mês em que é comemorado o aniversário de criação dos cursos jurídicos no Brasil, no auditório da OAB Cubo/RS. Entre outras autoridades, compareceram o presidente da OAB/RS, Dr Leonardo Lamachia, e a presidente do IARGS, Dra Sulamita Santos Cabral.

Diversos familiares, colegas advogados, amigos e autoridades prestigiaram o evento, quando o Dr Hélio Faraco ofertou ambos os livros para todos os presentes: “Reminiscências de um Velho Advogado” e “Tempus Fugit”.

A Mesa de Abertura foi composta pelo Dr Hélio Faraco, pelo Dr Leonardo Lamachia, pela Dra Sulamita Santos Cabral, pelo Desembargador Marco Aurélio Moreira de Oliveira, pelo Governador do Lions Ld3, Luiz Cleomar Domingues; e pelo advogado André Jobim de Azevedo, filho do Dr Hélio.

A Dra Sulamita foi a primeira a discursar e destacou o “brilhantismo e lucidez” do Decano do IARGS, quem, segundo ela, deseja sempre contribuir para um mundo melhor. Para tanto, convidou o Dr Hélio para lançar novos títulos. Lembrou, na oportunidade, que, em 2016, o IARGS concedeu ao advogado, que há 66 anos é associado, o Título de Advogado Emérito.

Na sequência, o Dr Hélio Faraco de Azevedo agradeceu pela presença de todos e declarou que a Dra Sulamita sempre o encoraja para escrever novos livros. Declarou que na obra “Tempus Fugit” faz algumas críticas ao STF e que recebeu bastante respaldo do Desembargador Marco Aurélio Moreira de Oliveira, que também se manifestou a respeito.

O Dr Leonardo Lamachia afirmou que, “pela experiência acumulada”, o Dr Hélio é “inspirado e inspirador e dignifica a advocacia gaúcha”. O Dr André Jobim disse que foi difícil encontrar palavras para descrever a importância da homenagem prestada ao pai: “Não tenho dimensão para descrever o tamanho orgulho que sinto pelo meu pai”.

Pelo IARGS compareceu a Diretora de Integração, Ana Amélia Prates; o membro do Conselho Superior, Desembargador Marco Aurélio Moreira de Oliveira; e o membro do Conselho Fiscal, Dr Emílio Rothfuchs Neto. O secretário-geral da OAB, Dr Gustavo Juchen, que também é associado do IARGS, marcou presença.

Terezinha Tarcitano
Assessora de Imprensa














Mesa










Grupos























Artigo- O Ensino do Direito Penal

 

Artigo do Promotor de Justiça e ex-presidente da FMP, Dr David Medina
Professor de Direito Penal e Direito Processual Penal
Tema: O Ensino do Direito Penal


1. Introdução

O século atual testemunhou grandes transformações no ensino superior, ampliando as possibilidades de acesso à informação, bem como o contato virtual com professores de todas as partes do mundo.

O ensino jurídico não ficou alheio às mudanças, sendo afetado profundamente por essas transformações. Nesse contexto, podemos dizer ensino do Direito Penal constitui um dos grandes desafios da formação jurídica na atualidade.

O presente artigo, longe de exaurir a matéria, traz provocações e reflexões acerca do ensino dessa importante disciplina jurídica.

2. As peculiaridades da disciplina do Direito Penal

Claus Roxin, um dos maiores pensadores do Direito Penal contemporâneo, afirma que, de todas as áreas jurídicas, o Direito Penal é a mais conhecida e, para aqueles que não são juristas, a mais interessante, pois crimes de impacto espetacular excitam as pessoas, assim como relatos de crimes e séries de televisão (ROXIN, 2007).

Não obstante, o Direito Penal exige redobrados esforços de professores e alunos, além de boa dose de paciência. Isso porque o primeiro contato do estudante com essa disciplina pode ser frustrante, diante das elevadas expectativas geradas por filmes e séries que exploram o universo da criminalidade e do sistema de justiça criminal, normalmente com inspiração nos modelos estrangeiros. Mas, ao se confrontarem com a disciplina, os estudantes percebem a enorme distância que existe entre a realidade e as séries e filmes com essa temática.

O Direito Penal é uma disciplina dura, complexa, densa e extensa, pois lida com o lado mais sombrio da natureza humana em sua relação com outros indivíduos e o Estado, envolvendo muitas teorias e escolas de pensamento, além de conceitos difíceis e fortemente entrelaçados com outros ramos do saber em geral.

Tudo isso é agravado, no Brasil, pela realidade que envolve o crime e a pena, diante do desenfreado aumento da criminalidade, a superlotação prisional, a instabilidade legislativa e jurisprudencial, além de outros aspectos da realidade que imprimem caráter meramente simbólico ao Direito Penal e conduzem à deslegitimação dessa disciplina jurídica.

3. O papel do professor

No século passado, o professor era a grande referência de conteúdo, cabendo a ele não só ensinar diretamente, como apresentar os caminhos disponíveis para a busca do conhecimento. Com as ferramentas de pesquisa hoje disponíveis na internet, o papel do professor sofreu uma significativa e inexorável mudança.

Isso porque os métodos tradicionais, que privilegiam a transmissão de informações pelos professores, faziam sentido quando o acesso à informação era difícil. Com a internet e a divulgação aberta de muitos cursos e materiais, podemos aprender em qualquer lugar, qualquer hora e com muitas pessoas diferentes (MORÁN, José).

Essa realidade transformou drasticamente o papel do professor, que deixou de ser o transmissor de conteúdo para ser a ponte entre estudantes e o material amplamente disponibilizado em múltiplas fontes de pesquisa e aprendizado. As aulas expositivas, nesse contexto, perdem espaço para um conhecimento construído a partir da experiência protagonizada pelo próprio estudante. Ou seja, os grandes temas da matéria são coordenados pelo professor, iniciados pelo professor, motivados pelo professor, mas pesquisados pelos alunos, às vezes todos simultaneamente; às vezes, em grupos; às vezes, individualmente (MORAN, 2000).

4. As novas formas de ensinar

Não é recente o questionamento acerca dos métodos de ensino tradicionais, que não mais se ajustam às expectativas das gerações nascidas sob o signo da internet e da inteligência artificial. Aliás, um antigo provérbio chinês, atribuído a Confúcio, diz o seguinte: “o que eu ouço eu esqueço; o que eu vejo, eu lembro; o que eu faço, eu compreendo”. Conforme salientou MORAN:

“Com a internet estamos começando a ter que modificar a forma de ensinar e aprender tanto nos cursos presenciais como nos de educação continuada, a distância. Só vale a pena estarmos juntos fisicamente – num curso presencial ou escolar – quando acontece algo significativo.”

O mesmo autor salienta que ensinar e aprender exige hoje muito mais flexibilidade espaço-temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação. Por outro lado, é importante educar para a autonomia, para que cada um encontre o seu próprio ritmo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, é importante educar para a cooperação, para aprender em grupo, para intercambiar ideias, participar de projetos, realizar pesquisas em conjunto.

Atualmente, além de possuir conhecimento técnico do Direito Penal, o professor deve possuir um repertório de ferramentas, conhecidas como metodologias ativas, como a sala de aula invertida, o estudo baseado em problemas, o estudo de caso e várias outras, que devem fazer parte do repertório para ensino do Direito Penal, proporcionando uma aprendizagem construída ativamente, pois aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto em estudo, sendo estimulado a construir o conhecimento ao invés de recebê-lo de forma passiva do professor (BARBOSA e MOURA, 2013).

5. Conclusão

Não há dúvida de que as novas tecnologias, notadamente a internet e a inteligência artificial, produziram grandes modificações no processo de ensino e aprendizagem, na medida em que afetaram não só as expectativas e experiências dos estudantes, como a fonte do conhecimento, que não mais se concentra na figura do professor, diluindo-se em diversificadas fontes de conteúdo.

O Direito Penal, por sua densidade teórica e a deslegitimação do sistema de justiça criminal contemporâneo, também exige uma nova forma de abordagem por parte dos professores, que devem utilizar novas e variadas ferramentas de ensino, conhecidas como metodologias ativas, para motivar e inspirar.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Eduardo Fernandes; GUIMARÃES DE MOURA, Dácio. Metodologias ativas de aprendizagem na educação profissional e tecnológica. Disponível em: https://bts.senac.br/bts/article/view/349/333. Acesso em:  09 ago. 2022.

ROXIN, Claus. Introdução ao Direito Penal e ao Direito Processual Penal. Belo Horizonte: Del Rey, 2007, p. 3

MORAN, José. Mudar a forma de ensinar e aprender. Revista Interações, São Paulo, 2000, vol. V, p. 57-72.

______. Mudando a educação com metodologias ativas. In  h t t p : / / u e p g f o c a f o t o . w o r d p r e s s . c o m. Acesso em: 30 jul. 2022.

sábado, 13 de agosto de 2022

Ordem Gaúcha realiza Sessão Magna na Cidade da Advocacia

A Sessão Magna alusiva ao Dia da Advocacia 2022, promovida pela OAB/RS, foi realizada na Cidade da Advocacia (Multiverso Experience do Cais Embarcadero), no dia 11 de agosto, quando foram homenageados os advogados e advogadas que atuam em nome da cidadania. Representando o IARGS compareceram à solenidade a presidente Sulamita Santos Cabral e as diretoras Maria Izabel de Freitas Beck, Ana Lúcia Piccoli e Ana Amélia Prates.

A honraria de advogado emérito foi para o Dr. Adalberto Alexandre Snel (in memorian), que já foi Decano do IARGS, sendo representado pela sua filha Lilian Amanda Snel.  

A medalha da Comenda Oswaldo Vergara, a mais importante distinção concedida pela Ordem gaúcha, foi entregue para os seguintes advogados e advogadas: 

Anderson Trautmann Cardoso, André Andrade de Araujo, André Luís Sonntag, André Renato Zuco, Beatriz Maria Luchese Peruffo, Carlos Geraldo Bernardes Coelho Silva, César Vergara de Almeida Martins Costa, Daniel Horn, Eduardo Nassif Branchier, Eugênia Reichert (in memoriam), Fabiana Azevedo da Cunha Barth, Francisco José Soller de Mattos, Igor Danilevicz, Itamar Antonio Moretti Basso, Jane Lúcia Wilhelm Berwanger, Jorge Fernando Estevão Maciel, José de Souza Mendonça, Libia Suzana Garcia da Silva (in memoriam), Maurício Bianchi, Mônica Canellas Rossi, Otto Junior Barreto, Patrícia Alovisi, Regis Douglas Menezes, Rita Maria Geremia Pavoni, Roque Soares Reckziegel e Ruy Pereira Niederaue

Foram jubilados os seguintes advogados e advogadas com mais de 30 anos de exercício profissional:

Alexandre Yugueros Neto, Ana Luiza Mariano da Rocha Mottin, Antonio Carlos Schamann Maineri, Eduardo Kroeff Machado Carrion, Inubia Alves Carvalho Sfoggia, Ivone Maria Moschem, Jair de Mattos, Jocelin Azambuja, José Morschbacher, Leticia Saldanha Caiaffo, Lia Bartelle, Luiz Eduardo Amaro Pellizzer, Magda Ortiz Barreto Vianna, Maria Elizete Karasck, Marina Beatriz Silveira de Magalhaes, Mariza Teresinha Souza de Nonohay, Milton Jose Munhoz Camargo, Otacilio Lindemeyer Filho, Paulo de Tarso da Silva Carvalho, Paulo Olimpio Gomes de Souza, Ricardo Barbosa Alfonsin, Rodolfo Luiz Rodrigues Correa, Sáloa Maria Neme da Silva, Sergio Augusto Pereira De Borja, Sérgio José Porto, Tarcísio Jacob Gubiani e Teresa Cristina Fernandes Moesch.

Terezinha Tarcitano

Assessora de Imprensa














Jubilados:

Dr. Eduardo Kroeff Machado Carrion

Dr. Luiz Eduardo Amaro Pellizzer

Dra. Teresa Cristina Fernandes Moesch

Dra. Leticia Saldanha Caiaffo 


Comenda Oswaldo Vergara

Dra. Beatriz Maria Luchese Peruffo

Dr. César Vergara de Almeida Martins Costa


Dra. Fabiana Azevedo da Cunha

Pai da Dra Libía Suzana (in memorian)