O Grupo de Estudos de Direito de Família do IARGS promoveu hoje, dia 28/04, a palestra “Direito de Família: o viver criativo em uma era de excessos”, ministrada pelo psiquiatra, psicanalista e professor Marco Aurélio Albuquerque. A atividade integrou a programação do Departamento de Direito de Família, dirigido por Liane Bestetti.
Durante a exposição, conduzida com o apoio de recursos audiovisuais e projeção em PowerPoint, na sede do Instituto, o palestrante apresentou uma análise das dinâmicas contemporâneas que atravessam a relação entre vida pessoal e profissional, propondo a superação da ideia de que esses aspectos da vida funcionam de forma isolada. A abordagem destacou que ambos se estruturam a partir de uma mesma base psíquica, sendo compreendidos como dimensões interligadas da experiência humana.
Para ilustrar essa dinâmica, foi utilizada a metáfora da “gangorra”, também referida pelo psicanalista como uma balança em constante movimento, indicando não a busca por um equilíbrio fixo, mas a possibilidade de um ajuste contínuo entre os diferentes campos da vida. Nesse contexto, o palestrante afirmou que “tudo nos ensina a sermos repetitivos”, chamando atenção para padrões automatizados de comportamento que impactam diretamente a saúde mental.
O conteúdo estabeleceu conexões entre sociologia, filosofia, psicanálise e neurociência da performance para analisar aspectos relacionados ao adoecimento psíquico na contemporaneidade. Entre os autores citados, destacou-se Christophe Dejours, com a obra “A Loucura do Trabalho”, utilizada como referência para compreender os efeitos das dinâmicas laborais na subjetividade.
O professor Marco Aurélio também mencionou o pensamento de Domenico De Masi, especialmente no que se refere à ideia de ócio criativo, entendida como uma utopia possível diante das exigências contemporâneas. Nessa linha de pensamento, sugeriu que o tempo livre seja utilizado como espaço de descompressão, “essencial para a criatividade, a organização mental e o bem-estar”.
Outro autor mencionado foi Byung-Chul Han, a partir da obra “A Sociedade do Cansaço”, que, segundo o palestrante, refere a lógica da produtividade excessiva e seus impactos na saúde psíquica. Destacou, na oportunidade, a exaustão como traço marcante do tempo presente, agravada pelo excesso de estímulos e pela dificuldade de pausa.
Nesse sentido, o palestrante reforçou que o descanso não compromete a performance; ao contrário, disse, a qualifica. De acordo com ele, as melhores decisões são aquelas que permitem tempo de elaboração. Como exemplo, sugeriu respostas que incluam reflexão, como “não sei se esta é a melhor solução, vou pesquisar”, valorizando o tempo de pensar como estratégia para “ganhar tempo”. E completou: “parar, nesse contexto, não deve ser associado à culpa, mas à responsabilidade consigo mesmo.
Durante a atividade, foi exibido um vídeo com o tenista Novak Djokovic, abordando a relação com o tédio. A mensagem destacou a importância de não reagir imediatamente a ele (tédio) com estímulos externos, como telas ou distrações, ressaltando a capacidade de permanecer com os próprios pensamentos como condição para a criatividade e a organização mental. O conteúdo também enfatizou a importância de desenvolver, desde a infância, a habilidade de lidar com o tédio como parte do processo de amadurecimento psíquico.
A palestra foi concluída com uma reflexão inspirada no pensamento da escritora Helena Rufato, ao afirmar que “Resta-nos tentar voltar ao equilíbrio, com a lembrança de que observar, estudar, experimentar, viajar, tornarmo-nos pessoas melhores… isso sim é o essencial. O resto é pura distração, perda de tempo. Rubem Braga não teria capturado o deleite de um almoço mineiro ou as nuances do mar se estivesse curvado sobre a luz azul de um celular. Sua arte nasceu do olhar curioso que só o ócio permite.”
Terezinha Tarcitano
Assessora de imprensa












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